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NR-01 · Saúde mental · Eco Humanic®

"Setembro Amarelo" termina na conscientização?

As campanhas do Setembro Amarelo nas empresas são importantes, mas insuficientes quando focam apenas no cuidado individual sem transformar as condições de trabalho. A prevenção também exige gerenciar os riscos psicossociais do próprio sistema.

7 min de leitura
Pessoas unindo peças de quebra-cabeça, simbolizando colaboração, trabalho em equipe e integração de diferentes ideias e habilidades

Todos os anos, o Setembro Amarelo amplia uma conversa importante sobre saúde mental e prevenção ao suicídio.

Nas empresas, isso costuma aparecer em palestras, campanhas de conscientização, divulgação de canais de acolhimento e orientações sobre onde buscar ajuda. Essas iniciativas são importantes, mas existe uma pergunta que também precisa ser feita: a organização está olhando para dentro?

Falar sobre saúde mental sem olhar para as condições em que as pessoas trabalham pode deixar uma parte importante do problema fora da discussão.

O trabalho também precisa entrar nessa conversa

Sobrecarga, baixa autonomia, conflitos, assédio, bullying, insegurança, falta de apoio, medo de falar, pouca clareza sobre responsabilidades e problemas relacionados à organização do trabalho estão entre os fatores que podem representar riscos à saúde mental no ambiente profissional.

Isso não significa estabelecer uma relação simples de causa e efeito entre trabalho, adoecimento mental e suicídio. O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial, influenciado por fatores individuais, sociais, familiares, ambientais e de saúde.

Reconhecer essa complexidade, porém, não elimina a responsabilidade das organizações sobre aquilo que está sob sua gestão.

Prevenção também envolve atuar sobre aquilo que a organização pode — e precisa — mudar.

Oferecer ajuda é importante. Mas não é suficiente.

Uma empresa pode disponibilizar apoio psicológico e, ao mesmo tempo, manter equipes permanentemente sobrecarregadas. Pode realizar uma palestra sobre saúde mental enquanto conflitos recorrentes, comportamentos abusivos ou problemas de liderança permanecem sem tratamento.

Também pode incentivar as pessoas a procurar ajuda sem investigar se as dificuldades nos processos estão produzindo tensão e desgaste nas equipes.

A assistência individual pode ser necessária, mas não substitui a atuação sobre as condições de trabalho. Da mesma forma, melhorar as condições organizacionais não substitui o cuidado individual quando ele é necessário. São dimensões diferentes e complementares.

A NR-1 reforça essa mudança de perspectiva

A inclusão dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), previsto pela NR-1, ajuda a deslocar a saúde mental de uma discussão baseada apenas em campanhas, benefícios e bem-estar para uma questão também relacionada à gestão de riscos ocupacionais.

Existe uma diferença importante entre perguntar “Como estão nossos colaboradores?” e perguntar “Quais condições do nosso trabalho podem representar riscos e precisam ser gerenciadas?”.

A primeira pergunta olha para as pessoas. A segunda olha para o sistema em que elas trabalham. Para uma gestão consistente, precisamos das duas.

Avaliar riscos psicossociais não é diagnosticar pessoas

Quando uma empresa avalia riscos psicossociais relacionados ao trabalho, o objetivo não deve ser descobrir quais colaboradores estão “bem” ou “mal”, identificar diagnósticos psicológicos ou prever quem poderá adoecer.

O objeto da análise são as condições de trabalho: organização das atividades, demandas, autonomia, relações profissionais, suporte, liderança, processos e outros elementos do contexto.

Não se trata de transformar o trabalhador no problema. Trata-se de compreender o sistema no qual o trabalho acontece.

Da percepção para a evidência

Esse é o território em que atua o Eco Humanic®, diagnóstico de riscos psicossociais da Humanic. Nosso trabalho organiza evidências sobre diferentes fatores do contexto de trabalho para ajudar a empresa a compreender seus principais pontos de atenção, estabelecer prioridades e apoiar ações de gestão.

Não diagnosticamos pessoas. Analisamos condições de trabalho.

  • Onde estão os riscos?
  • Quais grupos ou contextos demandam maior atenção?
  • Que fatores precisam ser priorizados?
  • O que pode ser modificado?
  • Depois das ações implementadas, houve evolução?

Setembro Amarelo é uma ótima oportunidade para abrir a conversa. Mas não pode parar por aí.

Campanhas ampliam a informação, reduzem estigmas e lembram que pedir ajuda precisa ser possível. Porém, o quanto estamos dispostos a investigar aquilo que nós, como organização, precisamos mudar?

Cuidar da saúde mental no trabalho não deveria ser uma ação de setembro. É um processo contínuo de escuta, análise, decisão, intervenção e acompanhamento.

Olhar para a organização também é prevenção.

Fanny Aranha

Psicóloga especialista em Avaliação Psicológica · Diretora da Humanic

Eco Humanic®

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