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Inteligência artificial · Perfil Humanic® · Avaliação psicológica · Recrutamento e seleção · Futuro do trabalho · Relações humanas

Estamos caminhando para um mundo artificialmente inteligente.

A IA pode refinar respostas, mas não substitui capacidades essencialmente humanas. Em um mundo automatizado, o valor profissional se desloca da execução técnica para o pensamento crítico, o repertório, o discernimento e as habilidades relacionais.

5 min de leitura
Rosto humano em preto e branco parcialmente refletido em uma superfície, representando a dificuldade de distinguir a capacidade real do profissional da imagem produzida com o apoio da tecnologia.

Num mundo cada vez mais artificialmente inteligente,

como conheceremos a capacidade de quem está pedindo respostas à IA?

Recentemente vi um artigo que contava que, para o ano letivo de 2026–2027, as escolas públicas de Nova York anunciaram novas restrições para o uso da inteligência artificial.

A IA generativa voltada aos alunos ficará suspensa até o 8º ano e, no ensino médio, seu uso será limitado, orientado e restrito a programas previamente aprovados.

Professores poderão continuar utilizando a tecnologia em atividades de planejamento, mas não para atribuir notas, monitorar comportamentos ou tomar decisões sobre os estudantes.

O objetivo é preservar o pensamento crítico, a aprendizagem, a cognição e os vínculos humanos.

A decisão também acende um alerta para o mundo do trabalho. Se, na educação, a preocupação é compreender como o aluno aprende, no ambiente corporativo surge um desafio equivalente:

À medida que a IA produz textos, análises e soluções complexas, como podemos distinguir a qualidade da entrega gerada pela ferramenta, das capacidades reais do profissional na organização?

O novo dilema do recrutamento e da gestão

Uma IA bem orientada pode produzir entregas sofisticadas, mesmo quando a pessoa que a utiliza possui lacunas de conhecimento ou pouca compreensão sobre o assunto.

Quando avaliamos um profissional apenas pelo resultado final de uma atividade realizada em casa, por um portfólio ou por uma apresentação cuidadosamente preparada, algumas perguntas precisam ser feitas:

  • A pessoa realmente raciocinou sobre o problema ou apenas estruturou prompts eficientes?
  • Se a ferramenta ficar indisponível, ela conseguirá analisar um cenário novo de forma autônoma?
  • É capaz de verificar fatos ou aceita respostas apenas porque parecem convincentes?
  • Consegue explicar o raciocínio que sustentou aquela resposta?
  • Possui discernimento próprio para tomar decisões críticas?

Com isso, o papel do RH deixa de ser apenas verificar se a pessoa sabe utilizar uma ferramenta tecnológica. O foco muda e passamos a nos perguntar:

Se a IA assume parte das tarefas operacionais e técnicas, quais capacidades humanas precisamos avaliar no mundo corporativo?

O que realmente importa quando a máquina faz parte do trabalho?

Gramática adequada, organização de informações e análises padronizadas estão se tornando recursos cada vez mais acessíveis. A IA consegue realizar parte dessas tarefas em poucos segundos.

Então, nesse novo contexto, o valor profissional se desloca da simples execução para a capacidade de interpretar, contextualizar, questionar e decidir e, o que passa a fazer diferença é aquilo que depende da experiência humana e da compreensão da realidade na qual o trabalho acontece.

Saber formular as perguntas certas

Sabemos que a qualidade da resposta da IA depende das informações, dos critérios e das perguntas que orientam seu funcionamento. O repertório do profissional, sua capacidade de investigar o cenário e sua compreensão do problema influenciam diretamente a utilidade do que a tecnologia produzirá. Além de obter a resposta, é precisa avaliar se ela responde ao problema correto.

Compreender o contexto

A tecnologia não vivencia o contexto organizacional nem assume as consequências de uma decisão. Ela pode processar informações e identificar padrões, mas não participa das relações, dos conflitos e das responsabilidades existentes em uma organização.

Compreender o clima de uma reunião, perceber resistências, interpretar aspectos culturais e reconhecer as consequências humanas de uma decisão continuam exigindo julgamento e responsabilidade.

Os negócios continuam dependendo de relações entre pessoas. Ainda precisamos construir relações, comunicar, negociar, ouvir, exercer empatia, mediar conflitos, mobilizar equipes e construir confiança. Tudo isso ainda é extremamente importante, especialmente em funções de liderança e tomada de decisão. A tecnologia processos, mas não elimina a necessidade de pessoas capazes de conduzi-los e nem se responsabiliza por eles.

Avaliando a pessoa por trás da tecnologia

Diante desse cenário, processos de seleção baseados apenas em currículos, portfólios ou tarefas assíncronas perdem parte de sua capacidade de revelar o que o profissional consegue construir de forma autônoma e como tende a atuar no cotidiano. Essas fontes continuam sendo importantes mas, precisam ser combinadas com outras evidências.

É nesse ponto que o Perfil Humanic® pode atuar como um aliado estratégico. A avaliação não pretende medir se alguém sabe utilizar uma ferramenta específica. Seu objetivo é integrar evidências sobre funções cognitivas, características de personalidade, exigências da função e contexto organizacional.

  • Raciocínio lógico: A avaliação oferece evidências sobre a maneira como a pessoa identifica relações, compreende problemas e organiza informações para chegar a conclusões. Isso amplia nossa compreensão sobre seu desempenho em tarefas estruturadas de raciocínio.
  • Atenção e memória: Atenção e memória são funções importantes para acompanhar informações, identificar inconsistências, aprender e revisar conteúdos. Essas capacidades podem apoiar a análise crítica de materiais produzidos com IA, ajudando reconhecer erros ou informações inventadas pela tecnologia.
  • Personalidade: A avaliação da personalidade permite compreender tendências comportamentais e relacionais relevantes para o trabalho. Essas evidências ajudam a analisar como a pessoa tende a colaborar, exercer influência, lidar com ambiguidades, organizar atividades e responder a diferentes demandas.

Tecnologia amplia a performance. A decisão exige evidências.

A inteligência artificial é uma aliada extraordinária para ampliar a capacidade de análise, acelerar processos e aumentar a produtividade, mudando a forma como trabalhamos, produzimos e fazemos perguntas. Entretanto, quanto mais automatizadas se tornam as entregas, mais importantes se tornam o julgamento, a responsabilidade, o pensamento crítico, o discernimento ético e a compreensão do contexto, ou seja, capacidades humanas. A IA ajuda demais mas, a responsabilidade sobre a decisão e seus impactos continua pertencendo às pessoas.

Para tomar decisões seguras sobre contratação e desenvolvimento, líderes não podem se apoiar apenas em resultados aparentemente impecáveis. Precisam compreender o que foi produzido pela ferramenta e o que pertence às capacidades do profissional.

A IA pode melhorar a resposta final. Mas ainda precisamos de evidências para compreender quem é a pessoa quando a tela se apaga.

Fanny Aranha

Psicóloga especialista em Avaliação Psicológica · Diretora da Humanic

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